Edição atual - Anais do VII Colóquio Semiótica das Mídias. vol. 7, nº 1. Japaratinga, AL: UFAL, 2018.

O paradoxo da Rede Globo: Gramática tendenciosa do Jornal Nacional e Narrativa crítica da minissérie “Os dias eram assim”

Cláudio Cardoso de Paiva
Universidade Federal da Paraíba - UFPB

 

Resumo

A programação da Rede Globo é atravessada por um forte paradoxo, que se projeta nas suas narrativas mais populares, o telejornal e a teledramaturgia. Particularmente, focalizamos o modo como a Globo apresenta uma gramática no Jornal Nacional, com matizes tendenciosos e manipuladores, e uma narrativa crítica na minissérie Os anos eram assim (2017), ambientada nos tempos da ditadura militar (cobrindo os anos 70/80). A título de reflexão salientamos alguns tópicos de discussão acerca dos significados sociais e políticos de ambos “gêneros narrativos”, buscando compreender as suas relações com as formas da história e a espessura do cotidiano sociopolítico. Historicamente o Jornal Nacional goza de prestígio juntos aos segmentos populares que encontram ali o seu veículo privilegiado de informação, mas ao mesmo tempo tem sido avaliado negativamente pela respeitável comunidade de especialistas e críticos de mídia nacionais e estrangeiros. Entendemos este paradoxo, a partir de uma leitura de Deleuze, como conjunção de potências rivais, antagônicas e divergentes, e cuja importância reside em desvelar as diferenças e multiplicidades dos fenômenos. Logo, elegemos o nosso “lugar de fala” a partir de uma aposta epistemológica: guardadas suas singularidades, o Jornal Nacional e a minissérie – paradoxalmente – formam e deformam a consciência, e dependendo do nosso modo de ver, podem suscitar modalidades de análise, informação, educação estética, consciência ética e política.

 

Abstract

Here we present some topics of discussion about a paradox in circulation in Rede Globo programming, which presents a grammar in the television news series with tendentious nuances and a critical narrative in the miniseries "The years were like that", about the times of military dictatorship. 1) The television news produces a "true effect" that convinces the uninformed viewer, and teledramaturgy appears to the public as a detached fiction from the real. 2) Nothing escapes the clutches of the cultural industry, which transforms the memory of the "lead years" into fascinating merchandise packed in technicolor; this same industry uses an "image rhetoric" (Barthes) and aggressive techniques of persuasion (and depoliticization) in the Jornal Nacional. 3) The historical decontextualization and the spectacularization (Debord) of series with complex themes obscure the social and political consciousness of viewers. Therefore, the fictional narrative relates aspects of dictatorship, repression and violence, as something that occurred in a remote past, with no ties to the dominant contemporary powers. In the meantime, the newscast - through word-text-images - simulates a reliable report on the events narrated. All this has generated controversial effects, which are projected in the discussion of topics like "newsmaking", "fakenews" (false news), "post- truth", and request a problematization.

 

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