Anais do I Colóquio Semiótica das Mídias. vol. 1, nº 1. João Pessoa, PB: UFAL, 2012.

Dispositivos de interação entre jornal e leitor: as lógicas discursivas das organizações jornalísticas gaúchas

Elisangela Carlosso Machado Mortari e Viviane Borelli
UFSM

 

A pesquisa em desenvolvimento “A dinâmica das interações entre produção e recepção nos jornais do Rio Grande do Sul” (com apoio financeiro do Governo do Estado do Rio Grande do Sul por meio da Fapergs – PqG 2011/2013). descreve os contratos firmados pelas organizações jornalísticas com seus leitores na busca de vínculo e de ampliação do contato para além da materialidade do jornal. A proposta visa mostrar os protocolos interacionais desenvolvidos pelos jornais, bem como problematizar sob que regramentos e lógicas ocorrem esses contatos. Para tal, são analisadas as lógicas discursivas dos jornais gaúchos: A Razão e Diário de Santa Maria (Santa Maria, RS), Pioneiro (Caxias do Sul, RS), Gazeta do Sul (Santa Cruz do Sul, RS), O Nacional (Passo Fundo, RS) e A Plateia (Sant’Ana do Livramento). Durante o segundo semestre de 2011 foram descritos e analisados os dispositivos utilizados pelos jornais para ofertar possibilidades de contato com seus leitores. Já no primeiro semestre de 2012, foram observados os websites e analisados seus dispositivos interacionais. Até o momento, foram realizadas entrevistas com editores, repórteres e gerentes dos jornais A Razão, Diário de Santa Maria e Gazeta do Sul (as demais entrevistas serão realizadas durante o segundo semestre de 2012) com intuito de analisar também o lugar de fala institucional. A pesquisa desenvolve-se no contexto de uma sociedade em processo de midiatização em que há um novo redimensionamento das práticas sociais em função dos processos midiáticos. O processo de midiatização da sociedade está em desenvolvimento e se efetiva a partir de operações tecnosimbólicas empreendidas por dispositivos midiáticos que passam a agir sobre outros campos, estruturando-os e codeterminando de algum modo suas ações. Há uma nova lógica produtiva: na edição impressa são referidos dispositivos digitais (website, portal, blogs e redes sociais) num processo de autorreferencialidade, em que o jornal passa a referir-se como forma de chamar a atenção para sua existência (Cf. FAUSTO NETO, Antonio. Mutações nos discursos jornalísticos: ‘da construção da realidade’ a ‘realidade da construção’. Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom, 2006. Disponível em: http://www.intercom.org.br/papers/ nacionais/2006/resumos/R1804-1.pdf. Acesso em 25 de julho de 2009) com intuito de prolongar o contato com seu leitor. Observa-se que com a oferta de outros dispositivos midiáticos, a marca do jornal é enunciada com veemência por meio de discursos que visam ampliação do vínculo com o leitor. A partir da análise, nota-se que os jornais instituem um novo contrato de leitura com seus leitores a partir de estratégias discursivas que remetem à possibilidade de participação no ambiente digital. Entretanto, esse acesso é relativizado por regramentos e lógicas midiáticas, pois todos os comentários de leitores passam por algum tipo de moderação. Mesmo que o leitor seja convidado por meio de um novo contrato de leitura a participar da produção do jornal, isso ocorre a partir de regras instituídas pelo campo midiático.

 

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