Anais do I Colóquio Semiótica das Mídias. vol. 1, nº 1. João Pessoa, PB: UFAL, 2012.

Jornalismo online e midiatização da recepção: a colaboração do leitor sob os protocolos da enunciação jornalística

Paulo César Castro
UFRJ

 

O estágio atual da interação entre os atores sociais é definido cada vez mais através das tecnologias digitais, principalmente daquelas baseadas no computador. Com isso, os relacionamentos não mais acontecem apenas através dos laços sociais, mas também pelas ligações de natureza sociotécnica, proporcionadas pelo virtual, pelo espaço simulativo e pelo telerreal. O funcionamento da sociedade contemporânea, portanto, está submetido decisivamente à lógica das mídias, que são parte da estrutura da tecnocultura que daí emerge. Diante do alcance de tais mudanças, que apontam para a passagem da cultura de massa para a cultura midiática, o conceito de mediação vai dando lugar ao de midiatização, pois este reflete o novo ambiente cognitivo que orienta o conhecimento, a sensibilidade e as ações dos indivíduos. E neste cenário, o jornalismo tem papel decisivo, pela centralidade que ocupa e pela força em instituir novos padrões de construção discursiva da realidade. Com esta pesquisa, buscamos analisar como os leitores, convidados a “colaborar” com os websites de veículos jornalísticos brasileiros, têm de se submeter, em maior ou menor grau, aos protocolos e às regras do campo privado do jornalismo. Para avaliar o que chamamos, através desse processo participativo dos leitores, de midiatização da recepção, tomamos como objetos os espaços colaborativos dos websites dos jornais O Globo e O Dia (respectivamente “Eu-repórter” e “Conexão Repórter”), ambos editados no Rio de Janeiro, e do portal de notícias da Central Globo de Jornalismo (“VC no G1”). A pesquisa está em fase de levantamento de material nos websites aqui citados, de modo a constituir um corpus capaz de estabelecer as marcas enunciativas da participação dos leitores em cada publicação, bem como para que possa propiciar um estudo comparativo entre elas. O que se aprende até essa fase parcial do estudo é que a recepção midiatizada significa, assim, o uso, por parte dos leitores, de um ambiente historicamente sonegado, mas desde que sob os princípios de uma lógica que subtrai a autonomia de sua enunciação.