Anais do I Colóquio Semiótica das Mídias. vol. 1, nº 1. João Pessoa, PB: UFAL, 2012.

Informação, conhecimento e sentidos sobre agroecologia no contexto da cibercultur@

Sandra Raquew dos S. Azevedo e Carlos Alberto F. de Azevedo Filho
UFPB

 

O trabalho de investigação em curso tem por objetivo melhor compreender o desenvolvimento de uma cultura de comunicação na dinâmica de organização social da Rede Articulação do Semi-Árido Paraibano, ASA Paraíba. A instituição formada por sindicatos de trabalhadores rurais, associações, organizações não governamentais, pastorais sociais, etc, surge em 1993, e até então mobiliza segmentos da sociedade civil para desenvolvimento de ações direcionadas à defesa dos projetos alternativos de convivência com o semi-árido. Entre estes podemos citar um dos mais conhecidos: a implementação de cisternas de placas na região, transformado posteriormente no programa governamental Um Milhão de Cisternas, na gestão do presidente Luis Inácio Lula da Silva (2003-2010). Desde seu surgimento a Asa Paraíba vem fomentando diferentes processos comunicativos e através destes constituindo uma prática de produção de sentidos sobre o território do semi-árido e suas representações, e mais recentemente sobre o conceito de agroecologia. Nesta pesquisa voltamos o olhar à cultura de comunicação desta Rede, considerando suas diferentes experiências de produção de conteúdo e informação, desde as formas mais tradicionais de produção de informação, a exemplo de jornais impressos, divulgação de notícias junto à imprensa e a sociedade, programas de rádio, boletins informativos realizados por agricultores, até a inserção na realidade virtual através da participação em lista de discussões e de sua integração ao Portal Agroecologia em Rede. Ao estudarmos a informação, a comunicação e o conhecimento emergente desta experiência em Rede – simbólica e política – a observamos a partir de um olhar centrado na comunicação enquanto processo de desenvolvimento coletivo de inteligência distribuída (GONZÁLEZ, 2007), que se estrutura a partir de problemas concretos, neste contexto, a necessidade de sustentabilidade ambiental no semi-árido paraibano – historicamente estigmatizado pelo fenômeno das secas. Desse modo nos é pertinente discutir e analisar a capacidade dos diferentes atores sociais em propor alternativas para os problemas enfrentados nesta região, considerando que as mesmas envolvem estratégias para afirmar um modelo de desenvolvimento sustentável, representado no conceito de agroecologia, e que as mesmas perpassam uma trajetória simbólica de ressignificação deste território através da experiência comunicativa, quer seja essa presencial ou virtual.