Anais do I Colóquio Semiótica das Mídias. vol. 1, nº 1. João Pessoa, PB: UFAL, 2012.

Internet, Sociedade Civil e Atores Individuais

Francisca Ester de Sá Marques
UFMA

 

Já não é novidade para qualquer cidadão que as novas tecnologias e, mais precisamente a Internet, invadiram os nossos domínios – privatizando o público e publicizando o privado –, reconfigurando o nosso modo de lidar com o individual e o coletivo, e por consequência, organizando a relação entre a Sociedade Civil e os atores individuais. Deste modo, para além da sua natureza tecnológica, a Internet possui também um caráter de ideologia que, pela sua omnipresença ou ubiquidade amplia as relações sociais transformando as narrativas, conforme a autonomia, o domínio e a rapidez com que cada ator participa da interação proposta. Nesta lógica, de um lado, temos a Internet, cuja natureza é a da oferta da informação; de outro, temos a Sociedade Civil com os seus respectivos atores, tendo como base a procura, a busca constante por informação. Por isso, entre a oferta abundante e a procura incessante há um desfasamento contínuo que a realidade não consegue dar conta, apesar da ideologia que atravessa as novas tecnologias e as utopias geradas por conceitos como liberdade de expressão e cidadania. O uso da Internet como uma tecnologia mediatizadora, ou como se denomina atualmente, uma tecnologia do social compreende a produção permanente de redes de solidariedade que expressam os mais diferentes temas para os mais variados atores, conforme a situação. Mas, se, por um lado, essas redes de expressão aumentam a capacidade de escolha, por outro lado, isto presume um acelerado processo de individualização da Sociedade Civil, em que a discussão e a análise são produzidas num espaço público virtual para constituir uma opinião pública volátil e com grande mobilidade. Portanto, a ideia da Internet como uma ideologia sem qualquer controle social, e as desigualdades sofridas pela Sociedade Civil contemporânea, vão fundamentar esta análise, tendo com base a seguinte pergunta: Será que as novas tecnologias estão criando novos atores, a partir das necessidades de ação, ou estão os atores somente agindo sem causa, apenas pressionados pela força dissuasiva da Internet?

 

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