Anais do I Colóquio Semiótica das Mídias. vol. 1, nº 1. João Pessoa, PB: UFAL, 2012.

Sentidos religiosos em rede: a (re)construção do “católico” na circulação digital

Moisés Sbardelotto
UNISINOS

 

Com o surgimento de uma nova ambiência religiosa impulsionada pela midiatização digital do fenômeno religioso, estabelece-se uma nova interação entre o fiel – por meio da internet – com elementos de sagrado. Por meio de rituais online em sites vinculados a instituições religiosas, desenvolve-se a vivência, a prática e a experienciação da fé. E a religiosidade praticada nos ambientes digitais aponta para uma mudança na experiência religiosa por meio de novas temporalidades, novas espacialidades, novas materialidades, novas discursividades e novas ritualidades. Assim, a religião como tradicionalmente a conhecemos está mudando, e a “nova religião” passa a ser caracterizada pela midiatização digital (suas formas características de ser, pensar, agir etc. na era digital). Porém, nas redes sociais online, há inúmeros outros sentidos religiosos em circulação, por meio de certas lógicas e regularidades. O que nos instiga atualmente é o que os internautas fazem em termos de (re)construção e de circulação de sentidos e discursos religiosos, por meios dos fluxos comunicacionais do ambiente digital em rede. Ou seja, se o Verbo se fez bit, ele também se faz rede – e, portanto, circula e flui pelos meandros da internet por meio de uma infindável construção simbólica de instituições e usuários – em um processo constante de “procepção” (produção e recepção). Portanto, para além da experiência religiosa, interroga-nos agora a experimentação religiosa. Para além do caráter privado da fé online, interroga-nos também o aspecto público do fenômeno religioso em suas manifestações comunicacionais digitais. Para além de uma prática de fé, interroga-nos também a construção de uma determinada identidade religiosa, que influi sobre aquela prática. Nosso problema se articula, assim, da seguinda forma: como se dão os processos de (re)construção e circulação de representações sociaisdo “católico” no fluxo comunicacional das redes estabelecidas na internet? Que processualidades comunicacionais (interações, protocolos, regularidades, lógicas etc.) estão implicadas nessa ressignificação do “católico” nas redes sociais online? Que desvios ou deslocamentos do “católico” passam a ocorrer por meio dos processos de construção e circulação de (novas) identidades e (novas) práticas religiosas, dinamizadas pelas processualidades das redes sociais online?

 

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