Anais do I Colóquio Semiótica das Mídias. vol. 1, nº 1. João Pessoa, PB: UFAL, 2012.

A crise da mediação pelo jornalismo na semiose da esfera digital

Antônio Luiz Oliveira Heberlê, Felipe Bonow Soares e Matheus Lokschin Heberlê
UCPEL

 

As relações sígnicas sugeridas por Charles S. Peirce não tinham originalmente intenções de explicar o processo de comunicação, mas julgamos que a relação entre signo, objeto e interpretante e a cadeia de sentidos que se estabelece com base neste processo também ajuda a compreender a circulação do fenômeno da comunicação. A ideia do signo como mediação é importante para o estudo da comunicação, afinal, a partir desta relação se pode observar que não há acesso direto entre uma mente e outra e nem mesmo entre um objeto e uma mente, do que resulta a possibilidade comunicativa de levar as mensagens, mas não os sentidos. Pode-se pensar no diagrama peirceano a partir da relação entre os dados (D) que emanam dos conceitos e são bases para a produção da notícia (N), enquanto signo, em operação realizada pelo exercício do jornalismo, que se desdobra em possibilidades de interpretação (I), nas operações de sentido das (infinitas) leituras das mensagens. Julgamos que o fenômeno atual do jornalismo online, pela mediação da internet, repercute nas lógicas jornalísticas e também força modificações, dada a máxima aproximação entre objeto e interpretante. A utilização de páginas digitais e multiplicação de fontes para a divulgação de informes e também notícias modifica o sistema de entrada para o intérprete e afeta o processo de interpretação (interpretante), ao estreitar e dinamizar esse processo, tornando mais direta a mediação objeto-interpretante. Entendemos que há, entre outras, conseqüências para a esfera do jornalismo, cuja sobrevivência depende substancialmente do factual, do instantâneo, que ele, como prática, se encarrega(va) de mediar. Hoje, essa mediação lhe foge, lhe escapa, dada a nova e acelerada imediação presidida pela dinâmica e aproximação máxima do processo de interpretação (objeto, signo, interpretante) que, de forma preocupante para este campo, dispensa a mediação tradicional dos signos do jornalismo.