Anais do I Colóquio Semiótica das Mídias. vol. 1, nº 1. João Pessoa, PB: UFAL, 2012.

A convergência das linguagens conectadas e a sociabilidade no Facebook: notas para uma hermenêutica da comunicação colaborativa

Cláudio Cardoso de Paiva
UFPB

 

No contexto sociocultural do século XXI, assistimos a um processo de midiatização sem precedentes, em que se mesclam os agenciamentos discursivos dos atores (actantes) presenciais e virtuais, reunindo materialidades orgânicas (usuários, e-leitores, em carne e osso) e inorgânicas (cyborgs, avatares, entidades digitais). A matriz discursiva midiática se reflete na economia, política, arte, educação, sendo atravessada duplamente por operações técnico-informacionais e agenciamentos sociocognitivos. E a substância que envolve as relações entre os atores, as mídias e o espaço público é feita de uma linguagem dialógica, semiosfera vigorosa, em que fala, texto, imagem, narrativa, discurso, enunciação concorrem para a produção de sentido. Historicamente, os estudos de linguagem têm se dedicado ao desvelamento dos efeitos de verdade, do sentido e da significação, e têm sido objeto de investigação no campo dos saberes interpretativos (incluindo a filosofia, o direito, a antropologia, a sociologia, a psicanálise, a semiologia). Hoje, a comunicação compartilhada pelos dispositivos de redes sociais (Facebook, Twitter, Youtube) introduz falas escritas, escritas oralizadas, intertextualidades conectadas, que tornam mais complexa a interface Comunicação e Linguagem. As conversações em rede implicam na aproximação de fronteiras entre experiências distintas, traduzidas nos fenômenos da “oralidade e tecnicidade”, “presença” e “virtualidade”, “tempo real” e “vida digital”. Observando a gramática do ciberespaço e especificamente a trama sociotécnica do Facebook, flagramos a instalação de uma signagem composta de índices, símbolos e iconicidades, que simulam e prescrevem modos subjetividade e sociabilidade, cujos efeitos são sensíveis na formação da cidadania e democratização social. Norteados por uma perspectiva hermenêutica que tem orientado a nossa pesquisa em cibercultura, objetivamos capturar o sentido da comunicação eletrônica da internet, inspecionando a iconografia das imagens (fotos e vídeos), a intertextualidade dinâmica do site e os atos de fala implícitos nos comandos instalados no centro nervoso do FaceBook, através das palavras-chave “curtir”, “comentar”, “compartilhar”, que instigam modalidades de trocas afetivas e sociolingüísticas, envolvendo a cordialidade, a confiança, a solidariedade, e ao mesmo tempo influem nas experiências da percepção, memória e cognição através de uma razão discursiva mediada pela tecnologia.

 

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