Anais do I Colóquio Semiótica das Mídias. vol. 1, nº 1. João Pessoa, PB: UFAL, 2012.

A inauguração de zonas de interpenetração pelo telejornalismo

Fabiane Sgorla
UNISINOS

 

Os processos de midiatização das sociedades revelam-se nos noticiários televisivos a partir da reconfiguração de seus dispositivos e de suas práticas discursivas. Essa complexificação é expressada pela expansão de seus fazeres na Web, práticas convergentes e na ampliação de seu espaço de publicação e interação. A presente investigação, por sua vez, debruça-se sobre a questão dos dispositivos inaugurados pelo telejornalismo na Web e tem como enfoque a reflexão acerca da estruturação, montagem e dinamização, em especial, dos dispositivos dos telejornais que buscam a interação com o público e engendram circulação. A observação empírica se detém ao caso do Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisão, no momento em que o telejornal apresenta dispositivos de interação circunscritos em seu território e inseridos em espaços em rede – destacando o Blog JN Especial e seu perfil na rede Facebook. Partindo do entendimento de que os discursos são registros dos processos sociais e que podem revelar tencionamentos e negociações em jogo, o olhar metodológico desta investigação é inspirado na sociossemiótica. Através da pesquisa, que ainda está em curso, observamos que os dispositivos de interação na web dos telejornais são como “zonas de interpenetração” em que se instalam tanto discursos de produção como um discurso em recepção. As marcas deixadas nas estruturas dos dispositivos, sua dinâmica, bem como os discursos do telejornalismo neles dispostos, apontam para uma promessa de interação. Notamos que é intensa e diversa materialização das expressões do público em recepção nesses dispositivos, através de estratégias discursivas. Contudo, as primeiras análises demonstram certa incompletude do processo delineado na promessa interacional por parte do telejornal, à medida que não há registro de discursos de produção que dariam sequência a circulação.