Anais do I Colóquio Semiótica das Mídias. vol. 1, nº 1. João Pessoa, PB: UFAL, 2012.

Cultura acessível: reflexões sobre a mediação tecnológica dos bens culturais para as pessoas com deficiência sensorial

Helena Santiago Vigata
UnB

 

Com o surgimento de novos dispositivos tecnológicos móveis que permitem uma interação, usabilidade e interoperabilidade cada vez mais personalizáveis, e, mais especialmente, com a portabilidade da internet, apresentam-se novas possibilidades de interação com o mundo e com a informação. Isso é mais marcante para as pessoas com deficiência sensorial – visual ou auditiva –, que podem ter abertas perspectivas de fruição dos bens culturais em condições de igualdade com o resto da sociedade. Se antes contavam, em casos pontuais, com recursos exclusivos para suas necessidades, como audioguias audiodescritas e signoguias em museus e serviços de audiodescrição e legendas intralinguais em teatros e cinemas, hoje é possível promover uma experiência inclusiva onde todos/as os/as usuários/as, com ou sem deficiência, possam enriquecer sua experiência nos museus, teatros e cinemas obtendo acesso personalizado aos conteúdos e serviços em diversos formatos por meio de um único suporte, como o tablet ou celular. Essa nova configuração tecnológica permite, inclusive, transpor fronteiras físicas, o que tem provocado discussões sobre a necessidade de reformular o conceito e as funções sociais dos museus, bem como sua relação com a sociedade. O presente trabalho propõe-se a refletir, desde uma perspectiva da Semiótica da Comunicação, sobre como é que a mediação tecnológica faz a ressignificação sígnica na mente das pessoas com deficiência sensorial, que, independentemente de seu grau de familiaridade com esse tipo de práticas culturais, já carregam conhecimentos prévios e expectativas com relação ao que vão assistir. A pesquisa encontra-se em seu estágio inicial e está sendo desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade de Brasília.