Anais do I Colóquio Semiótica das Mídias. vol. 1, nº 1. João Pessoa, PB: UFAL, 2012.

A gênese da internet comercial: políticas de Estado norte-americanas para usos sociais da rede, 1986-1991

João Martins Ladeira
UNISINOS

 

A instrumentalização e a conveniência da cultura, assim como seu uso progressivo como recurso destinado a cumprir dadas funções (definido por Yúdice e pela discussão que vem de R. Williams), foram tópicos caros ao debate sobre a autonomização e a racionalização da esfera simbólica na modernidade, como indicado por Habermas. Este artigo se debruça sobre tal movimento, investigando um caso específico. Aqui, discutem-se os usos de valores oriundos na esfera cultural em projetos conduzidos por Estados-nação, containers de poder administrativo. Debate-se a politização das tecnologias de comunicação inovadoras pelo centro hegemônico da segunda metade de século XX, os EUA, que atribui a tais recursos carga simbólica então inédita. Investiga-se um momento no desenvolvimento da internet comercial: os projetos voltados a usos sociais, e não apenas técnicos, da rede. A partir de 1991, propõem-se no Congresso norte-americano financiamentos destinados não a laboratórios de pesquisa visando o aprimoramento de ferramentas usadas por cientistas e especialistas. Desde 1962, as inversões na tecnologia se voltaram a defender a posição dos EUA na competição internacional por inovação (nos anos 60 e 70) ou a garantir a retomada da competitividade econômica (nos anos 80). A nova proposta concentra-se na relevância dos benefícios coletivos da rede, atentando a um tema discreto: tornar a internet acessível ao sistema educacional pela digitalização de bibliotecas e a conexão de instituições de ensino médio e fundamental. Passo específico e inicial no trabalho de afirmar a tecnologia como relevante não apenas a grupos insulados de tecnocratas, interpreta-se tal momento como causalidade adequada no esforço de dotar a rede de novo valor simbólico. Os valores da cultura utilizados são a legitimidade carismática contida no simbolismo do projeto moderno, orientado segundo valores de transformação social pela defesa de bens coletivos que transcendem interesses particulares. Sua condução, contudo, ocorre através da administração do Estado, pela intervenção racionalizada. O artigo se concentra em um texto, o “High-Performance Computing and National Research and Education Network Act”, de 1991, com atenção e legislações de 1986; 1988 e 1989.

 

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