Anais do I Colóquio Semiótica das Mídias. vol. 1, nº 1. João Pessoa, PB: UFAL, 2012.

Semiótica, mídia, telemática: três eixos-chave da comunicologia de Vilém Flusser. Reconstrução e síntese das reflexões de um dos pioneiros dessa área

Michael Hanke
UFRN

 

Uma das primeiras obras (senão a primeira) para refletir conjuntamente mídia e semiótica é a de Vilém Flusser. Já em 1973 ele chega a constatar uma mudança dos códigos-chave da sociedade contemporânea, das mídias lineares (escrita etc.) para as superficiais (imagens etc.), antecipando o famoso iconic turn. Em 1969, ele cita a semiótica de Umberto Eco como referência do próprio pensamento. E já em 1985 começa a reflexão sobre a chamada sociedade telemática, termo utilizado para a comunicação digital/em rede. Naquela época, Flusser, que morava na França, ficou impressionado com o sistema francês do minitel - um antecessor da internet, e interessou-se em analisar a nova situação. Essas visões não são frutos de um clarividente, mas de um pensamento comunicológico coerente e profundo. Desde os primeiros passos marcados pelo interesse na língua (filosofia da linguagem), Flusser, influenciado por pensadores como Cassirer, sabia que nosso conhecimento sobre o mundo era mediado por sistemas sígnicos. Esse conhecimento de que esses sistemas não se restringem à língua, mas abrangem qualquer tipo de codificação, preservou Flusser do logocentrismo e abriu cedo para ele a perspectiva da comunicação audiovisual, que ele lecionou já em 1963. Por isso, Flusser estava acessível às ideias de uma semiótica geral como a promovida por Eco. Influenciado também pela cibernética, ele tomou conhecimento dos novos rumos nos EUA, do MIT por exemplo, e entendeu que a linguagem digital e o computador que é baseado nela mudaria profundamente nosso mundo, os códigos e nossa comunicação. Essa nova fase da cultura contemporânea foi denominada por ele, já em 1967, por pós-história, que depois foi relacionada com o pós-moderno. O conceito tinha como propósito capturar as novas condições da condition humaine, como as mudanças provocadas nos parâmetros fundamentais de espaço e tempo, a nova qualidade cultural da modernidade causada pela transformação da mídia digital, baseadaem códigos zerodimensionais. O objetivo desse trabalho é apresentar uma reconstrução e síntese das reflexões flusserianas sobre semiótica, mídia e telemática com o intuito de promover articulações explícitas sobre os temas do colóquio, que são “A semiótica das mídias” e “Internet: viagens no espaço e no tempo”.

 

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