Anais do I Colóquio Semiótica das Mídias. vol. 1, nº 1. João Pessoa, PB: UFAL, 2012.

A construção de perfis de mulher a partir do contrato de leitura de revistas femininas

Bianca Alighieri Luz Monteiro
UNISINOS

 

Nossa pesquisa nasceu em março de 2010 na linha de pesquisa Midiatização e Processos Sociais, do PPG em Ciências da Comunicação, da Unisinos. Examinar as estratégias enunciativas das revistas femininas AnaMaria (editora Abril) e Malu (editora Alto Astral) no processo de midiatização da sociedade foi um de nossos objetivos. Assim como observar de que modo essas publicações criam vínculos com suas leitoras e, consequentemente estabelecem seus contratos de leitura. E a partir desses contratos, como elas constroem noções de mulheres. Este é um estudo comparativo – finalizado em março de 2012 com a defesa do mesmo para aquisição do título de Mestre –, que examina 24 exemplares de AnaMaria e Malu entre os anos de 2010 e 2011. Ao final da pesquisa, entre outras constatações, concluímos que as revistas se apoiam no “contrato de amparo”, que por sua vez, é composto de estratégias enunciativas que almejam despertar nas leitoras sentimentos de amizade e cumplicidade; além de propor lugares a serem ocupados pelas leitoras. Após a defesa, ainda restaram algumas indagações. A primeira delas pretende dar conta do que seria a outra metade da pesquisa pelo contrato de leitura: confrontar nossos achados com as leitoras. Perguntamo-nos qual é a relação que as mulheres mantêm com os dispositivos revistas femininas; além de compreender o uso que elas fazem do material que é ofertado pelas publicações. Podemos ainda entrar em eixos temáticos e investigar de que maneira as publicações enunciam assuntos como sexo, filhos, maternidade etc. A pertinência dessa pesquisa para o Colóquio “Semiótica das Mídias” reside, primeiramente, na constatação de que se trata de um trabalho que descreve, analisa e compara marcas enunciativas de dispositivos midiáticos com o objetivo, entre outros, de revelar as estratégias discursivas de construção do contrato de leitura e que buscam ofertar às leitoras perfis variados de mulher. O uso de instrumentais semióticos, como o conceito de contrato de leitura, e de objetos repletos de marcas de intencionalidades e de propostas de itinerários de leitura são questões que fortalecem a participação no referido Colóquio. E como diferencial, nossa pesquisa analisa as revistas inseridas no complexo ambiente da midiatização, sendo esta um fator transformador das condições de produção da enunciação. Hoje, submetido a novas situações de caráter técnico, comunicacional, psicológico etc.

 

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