Anais do I Colóquio Semiótica das Mídias. vol. 1, nº 1. João Pessoa, PB: UFAL, 2012.

Os processos midiáticos, suas lógicas e o papel transformador da sociedade em midiatização

Ana Lúcia Medeiros
PPGFAC/UnB

 

Este texto propõe uma reflexão de como a sociedade em midiatização participa de processos comunicacionais ao se posicionar diante do que foi acionado por uma ou mais mídias. Alguns temas e produtos postados na internet, por exemplo, atingem altos índices de acessos. Embora os acessos não representem, necessariamente, a relevância do tema nem signifiquem a concordância dos participantes com o enfoque dado ao assunto, as pessoas se manifestam. E esse posicionamento, caso seja significativo, pode provocar transformações. Para compreender esse processo, observamos um caso específico que diz respeito à profissão do jornalismo e que envolve outras mídias, além da internet. Ao ler um editorial com um posicionamento incisivo contra o formato das festividades carnavalescas adotadas na contemporaneidade, a apresentadora Rachel Scheherazade, do telejornal local (TV Tambaú - João Pessoa), provocou um inesperado movimento nas redes sociais, com grandes repercussões. Após a exibição do telejornal, um telespectador do vizinho Estado de Pernambuco postou no Youtube uma análise exaustiva do editorial lido por Rachel Sheherazade. O vídeo proporcionou o acesso de centenas de internautas ao telejornal da TV Tambaú. A repercussão chamou a atenção da Direção do SBT e a jornalista foi promovida à condição de âncora do telejornal de horário nobre da emissora, em São Paulo. O caso nos permite observar o processo interativo mídia/sociedade; as tomadas de decisão a partir da repercussão de um caso na sociedade; e o papel particular de cada media nesse processo. A internet funciona como impulsionadora de uma transformação a partir da participação da sociedade; as formas periféricas de difusão de informações, mas que também têm relevante papel, como uma agência de notícias, por atingir um outro perfil de público e apresentar outros tipos de valores; e, por fim, o mais representativo veículo de comunicação integrante do processo, que é a televisão, onde o fato se consolida e gera visibilidade. Para Eliseo Véron (1983, p. 112), “é somente com o advento da televisão que se pode falar verdadeiramente do corpo significante da informação”.

 

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