Anais do I Colóquio Semiótica das Mídias. vol. 1, nº 1. João Pessoa, PB: UFAL, 2012.

Discurso e silêncio: movimentos sociais democráticos e cobertura das mídias

 Sergio Dayrell Porto, Adriana Borba Fetzner, Arthur Paganini, Fabiana Santos Pereira, Hadassa Ester David, Rosânia Soares e Valéria de Castro Fonseca
UnB

 

Partindo do pressuposto que a democracia se faz a partir da representatividade e da participação popular em seus diversos posicionamentos políticos e sociais, tanto na esfera pública quanto na esfera privada, tanto no mundo real e atual quanto no mundo virtual, como caracterizar a atuação das coberturas midiáticas, tomando por base determinados temas e situações, como: As propostas de emenda constitucional à lei do Trabalho escravo no Brasil; o telejornalismo de diversas emissoras no Brasil e a cobertura da CPI do Cachoeira; a tramitação do novo Plano Nacional de Educação no Congresso Nacional; a participação de celebridades nacionais, entre artistas e intelectuais, como porta-vozes da mobilização social no Brasil; a sexualidade na velhice nos sites de relacionamento na internet, a identificação de um discurso social no Brasil capaz de significar e ou de silenciar todos esses movimento, e o discurso da presidente Dilma Rousseff na criação e implantação da Comissão da Verdade. São realidades com seus respectivos discursos, assim como a sua cobertura feita pelos mídia, sejam eles nacionais ou locais, impressos ou eletrônicos, atuais ou virtuais, e o movimento de sentidos que provoca não só pelo que dizem como também pelo que silenciam, por aquilo que não disseram ou que ainda se reservam ao direito de dizer quando bem o desejar. Diante de tudo isso, notou-se que: mesmo contando com um forte movimento social aí engajado, esses temas existentes não são cobertos como se poderia desejar pela mídia brasileira, na medida em que existe um choque de interesses entre o campo político e o campo jornalístico informacional. A semiótica das mídias passa por aí, nesse conflito de interesses dos campos enunciativos políticos e jornalísticos, resultando num possível silenciamento da voz cidadã. Os compromissos ideológicos ligados tanto aos interesses institucionais e empresariais quanto às vontades populares vão encontrar na mídia uma resposta frágil, pelo menos aparentemente. A lógica do mercado, mais forte do que a lógica cidadã, mas que, em algumas situações, cumpre um papel importante na vida em sociedade, parece que também consegue movimentar forças que sejam capazes de dar voz, por exemplo, aos velhos na internet, e também a todos aqueles que têm o desejo do conhecimento e da verdade para identificar uma necessidade da mudança geral de valores que a atualidade democrática exige de cada um de nós. Os mídia e os movimentos democráticos poderiam encontrar pontos em comum, onde suas lógicas poderiam trabalhar uma em função da outra, em benéfico do todo da sociedade.