Anais do I Colóquio Semiótica das Mídias. vol. 1, nº 1. João Pessoa, PB: UFAL, 2012.

O Congresso silenciado

Sergio Dayrell Porto e Fabiana Santos Pereira
UnB

 

Como as mídias tem silenciado a cobertura de grandes temas que são tratados no Congresso Nacional, como o Projeto de Lei do PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Apesar da mobilização social organizada acerca desses grandes temas de interesse nacional, a grande mídia mantém postura silenciada em sua cobertura, o que restringe o acesso a informações desses temas por parte da população. A análise parte da antecipação de que o tema que envolve o projeto de lei do Plano Nacional de Educação (PNE) em tramitação no Congresso Nacional, mesmo contando com um forte movimento social aí engajado, não é coberto como poderia pela mídia maior brasileira. Há um choque de interesses entre o campo político e o campo jornalístico informacional, que nem sempre andam de mãos dadas. A semiótica das mídias passa por aí, nesse conflito de campos de enunciação política e jornalística, resultando num possível silenciamento da voz cidadã, seja ela ligada ao campo político seja ligado aos sistemas de informação. A partir deste ponto analítico o trabalho utiliza o método das Seis Leituras Interpretativas em Massa Folhada, de Sergio Dayrell Porto, e aborda o discurso social estereotipado de que educação é prioridade, sendo este mais um dos imaginários coletivos da sociedade brasileira. Assim os veículos impressos da grande mídia não cobrem todos os temas presentes no Congresso Nacional, mas somente parte deles, que é a fatia que atende a interesses estratégicos do chamado jornalismo de resultados – expressão utilizada pelo economista Luiz Gonzaga Belluzzo, em artigo publicado na Carta Capital de 18 de abril de 2012. O tema foi escolhido para análise por ter tido uma grande participação dos movimentos sociais na apresentação de emendas ao projeto de lei do PNE, cerca de 3.000, exatamente 2.915 emendas. O número surpreendeu, pois foi uma marca nunca antes alcançada por um projeto de lei em análise, comparando-se apenas à Constituinte de 1988, segundo matéria da Agência Câmara, de 6 de junho de 2011. Dentre as conclusões: primeiro a de que o tema educação, assim como outros ligados ao Congresso Nacional, não está entre os temas priorizados pelos veículos da grande mídia. Outra conclusão é que não apenas os assuntos ausentes são silenciados, ou seja, o excesso de cobertura e pauta de um único assunto, que geralmente ocupa as áreas nobres dos principais jornais impressos pode também esvaziar o assunto, já que a repetição faz com que se percam os sentidos originais. No tocante aos movimentos sociais, percebemos que eles podem ser fortes e engajados, mas configuram um movimento de resistência frente aos grandes veículos de imprensa que, basicamente, os ignoram como peças fundamentais ao processo político democrático do país. Autoria: Sergio Dayrell Porto e Fabiana Santos Pereira.Trata-se de pesquisa em andamento do curso de Processos Interpretativos da Comunicação, nível de pós-graduação da UnB, neste primeiro semestre de 2012. Também concluímos que, num segundo momento, para enriquecer a pesquisa será necessário realizar entrevistas com os pauteiros dos grandes jornais e também os especialistas, identificando assim como funcionam suas rotinas produtivas.

 

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