Anais do I Colóquio Semiótica das Mídias. vol. 1, nº 1. João Pessoa, PB: UFAL, 2012.

A cobertura jornalística sobre a doença do ex-presidente Lula nas revistas semanais de informação

Valdir de Castro Oliveira, Danielle Barros Silva Fortuna e Ana Cláudia Condeixa de Araújo
ICICT/FIOCRUZ

 

Esta pesquisa analisou os textos jornalísticos publicados pelas revistas Veja, Época, Carta Capital e IstoÉ a respeito da doença do ex-presidente Lula tendo como referência teórica o conceito de midiatização trabalhado por Antônio Fausto Neto e Muniz Sodré, entre outros autores, que aponta para as transformações dos protocolos de produção da informação jornalística influenciado pelas novas tecnologias e pela hibridização das mídias. A nossa hipótese é a de que, neste ambiente midiatizado, as fontes da informação jornalística, concentradas em núcleos políticos e organizados da sociedade, se apropriam, cada vez mais, dos rituais e protocolos do processo de produção da mídia jornalística tradicional para interferir ou influenciar na produção de sentidos de suas mensagens. Com isso o paradigma da produção da notícia representado pelo ativismo dos profissionais das redações perde legitimidade e poder diante das outras mídias e, como resposta, passa a investir na auto-referenciação de suas qualidades informativas. A partir destes pressupostos buscamos verificar e compreender a cobertura da doença do ex-presidente Lula feita pelas revistas semanais de informação tendo em conta as seguintes variáveis: a) O papel ativo da fonte na construção da estética e do conteúdo da cobertura das revistas; b) os possíveis deslocamentos semânticos da doença do ex-presidente do campo da saúde para o campo da política; c) a interferência da Internet na angulação e na produção de sentidos das reportagens das revistas; d) A auto-referenciação da mídia tradicional para se legitimar e reiterar a qualidade de suas informações em um ambiente midiatizado. Dos resultados da pesquisa constatamos que a cobertura da doença do ex-presidente foi plasmada pelos seguintes fatores: a) pelo ativismo da fonte (Instituto Lula) que disponibilizou informações e imagens para as mídias jornalísticas interferindo ativamente no conteúdo e na estética de suas mensagens; b) as mensagens jornalísticas das revistas analisadas receberam também forte influência das polêmicas geradas nas redes sociais (Internet); c) cada semanário destacou o seu Lula particular provocando o deslocamento semântico do campo da saúde para o campo da política em conformidade com a linha editorial de cada revista como forma de reiterar seu poder de influir na construção da agenda pública.