Anais do I Colóquio Semiótica das Mídias. vol. 1, nº 1. João Pessoa, PB: UFAL, 2012.

Imagem, a sedução do olhar

Adair Caetano Peruzzolo
UFSM

 

A questão teórica: Os sujeitos e o discurso. O tema/problema, que ocupa minhas atividades teóricas e investigativas, são os discursos sociais da mídia audiovisual, por duas razões fundamentais: a. é consenso entre os sociólogos e antropólogos que a compreensão da vida das pessoas, dos grupos sociais e das sociedades globais implica no entendimento das forças que regem a comunicação social; b. os modelos daquilo que significa ser homem ou mulher, bem-sucedido ou fracassado, poderoso ou importante, o senso de classe, etnia e raça, nacionalidade, sexualidade, justiça, direito..., aquilo que ajuda a modelar a visão prevalecente de mundo, de relações humanas e sociais, e o peso dos valores de conduta ética, moral e política, dentro de uma sociedade, se constituem e erigem em padrões pela ação veiculadora dos meios de comunicação social, de modo preponderante, pela televisão. Particularizando, o que nos move é a ideia de analisar as narrativas ‘multimodais’ dos noticiosos televisivos, primordialmente, enfocando os valores que, nas relações comunicacionais, excedem seu caráter informativo. O destaque desse excedimento permite considerar em que fundamentos são constituídas as estratégias discursivas e quais valores os efeitos de sentido produzidos buscam apontar como norteadores das condutas socioculturais. A questão metodológica: o discurso e suas Estratégias. O enfoque teórico-metodológico envolve basicamente as inter-relações, que existem entre televisão e linguagem, desdobráveis em fala, som, gestos e imagem, e as estratégias discursivas que se ligam a cada uma delas. A enunciação televisiva submete os fatos, eventos, ideias e objetos a um processo de singularização estilística, cuja força é a tecnologia da imagem. Na sua lógica de falar e de traçar relações, a Tv requer devoção, adesão e envolvimento, por isso empenha-se na busca de recursos de provocação e sedução de sentidos, que envolvam o telespectador na sua exercitação. O sentido é assim o resultado de uma ‘cointecionalidade’ entre “seres de palavra” (enunciador e enunciatário) e não entre “seres que agem” (produtor e receptor). Por sua vez, a imagem se apresenta como um conjunto de proposições implícitas, que pressupõem uma teoria do significado (plástico e semântico), uma teoria da enunciação (participantes interativos e participantes representados), e uma teoria do agir comunicativo, na medida em que a superfície textual nomeia, qualifica, narra e fornece motivos para as ações, e os modaliza. De modo que os textos televisivos são analisados segundo sua força de produção de sentidos, dentro do pressuposto teórico-metodológico de que os agentes comunicativos do dispositivo televisual, mais que codificar ou decodificar eventos do mundo social humano, propõem hipóteses, realizam interferências contextuais, apresentam valores de vida e conduta, antecipam respostas e ajuizamentos para seus interlocutores; de forma que os intercâmbios comunicativos, operados sobre a programação noticiosa, já não são concebidos como transferência de informações de um emissor a um receptor, mas como modelos culturais de ação humana.