Anais do I Colóquio Semiótica das Mídias. vol. 1, nº 1. João Pessoa, PB: UFAL, 2012.

O fotojornalismo reconfigurado pelos processos midiáticos da web

Beatriz Sallet
UNISINOS

 

Esta proposta de pesquisa pretende investigar as afetações/reconfigurações do fotojornalismo impresso para o digital - e em outras plataformas-, a partir da profunda mudança de paradigma (analógico – digital) na fotografia em geral, e no fotojornalismo em suas especificidades. Para este fim, objetiva-se pesquisar as particularidades das reconfigurações/afetações do fotojornalismo a partir do digital, mapeando as novas mídias que se estabelecem na chamada convergência digital; perceber e discutir sobre os lugares (na contemporaneidade) por onde o fotojornalismo digital vem escoando e se instituindo em novas práticas fotojornalísticas; e perfazer o caminho das instâncias produção/recepção e de circulação do fotojornalismo da Era digital. A motivação para esta pesquisa surge a partir da percepção de que os processos midiáticos implicam as instâncias da produção, da recepção e da circulação de bens simbólicos (fotojornalísticos) que se redefinem, trocam lugares e exigem discussão e pesquisa. Esta pesquisa percebe que o fotojornalismo vem adquirindo espaços próprios no ambiente da Internet como um todo. As histórias fotográficas da Era analógica ganham, na Era digital, narrativas que extrapolam os valores-notícia estabelecidos até então, cedendo outros lugares, outras vozes para estes três âmbitos: produção, recepção e circulação. Isso implica na emersão de valores-notícia de imagem (SOUSA, 1998) que se encontram no campo do sensível. A pesquisa que aqui se propõe, cuja articulação se faz com o campo da Semiótica das mídias, encontra-se em processo de compreensão e de aprofundamento teórico, através da seleção de autores que fornecem conceitos fundamentais que permeiam o campo da Comunicação em geral, e o campo midiático em suas especificidades - Antônio Fausto Neto (2010), Eliseo Verón (2005), Martín-Barbero (2009), SOUSA (1998; 2004). Ao cotejar o objeto fotojornalismo em mutação/transformação a partir do digital com os próprios processos midiáticos que estão imbricados em seu fazer, háumnovo cenário de convergência, uma relação de semiose entre as instâncias de produção, de recepção e de circulação (antes, pareciam definidas) que as imbrica e as confunde. O conceito de circulação é caro a este trabalho, porque instâncias comunicacionais, hoje, não são estanques. Produção e recepção andam juntas, e a circulação está exposta pela complexificação tecnológica. Observar o fenômeno da atual produção do fotojornalismo para o impresso, para o online e em multiplataformas, e refazer o percurso das pesquisas sobre as três instâncias relacionadas à fotografia jornalística, são indispensáveis a este estudo.

 

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