Anais do I Colóquio Semiótica das Mídias. vol. 1, nº 1. João Pessoa, PB: UFAL, 2012.

Roland Barthes e a experiência do signo fotográfico

Rodrigo Fontanari
FAPESP

 

A presente comunicação trata-se de uma pesquisa de doutoramento em fase final de redação que propõe abordar as reflexões barthesianas a respeito da fotografia em A câmara clara. Nessa obra, o semiólogo da fotografia passa a poeta das imagens pungentes, de um convite à difícil tarefa de reconhecer as riquezas singulares. Visa à apresentação e ao estudo crítico dessa inusitada teoria da representação fotográfica, mais especificamente aos hoje clássicos conceitos de studium e de punctum. O objetivo principal é fornecer subsídios para um entendimento do punctum à luz das reflexões barthesianas sobre a poesia, notadamente o haicai japonês, uma das obsessões desse semiólogo, fundamentando assim a ideia corrente de que também estaríamos diante de uma poética da fotografia. O problema da pesquisa consiste em questionar se é possível transferir a problemática do pucntum e do studium para outros regimes de representação. Trabalhamos com a hipótese de que é possível estender as reflexões barthesianas para além do processo fotográfico em si, aplicando tais conceitos a outros regimes de sentido que mobilizam a imagem, até porque o princípio da fotografia é aí reencontrável. Para tanto, rastrearemos a obra completa de Barthes, até hoje em processo de edição, com ênfase na década de 1970, quando ele rompe com o método estruturalista e passa a uma fase subjetivista cujo ápice é a A câmara clara, sua derradeira obra e aquela que coroa suas reflexões sobre as fotos. Metodologicamente, este trabalho ampara-se numa pesquisa bibliográfica de largo espectro, cujos referencias teóricos principais são os trabalhos hoje existentes em torno do estruturalismo e das linguísticas gerais a que se refere a semiologia barthesiana, da fortuna crítica produzida para a obra do autor, da história da fotografia e de suas teorias críticas.