Anais do I Colóquio Semiótica das Mídias. vol. 1, nº 1. João Pessoa, PB: UFAL, 2012.

Montagem espacial e multiplicação de telas audiovisuais

Tiago Lopes, Sonia Montaño e Suzana Kilpp
UNISINOS

 

Qual é hoje a tela do cinema: a das salas de cinema, à da TV, a dos mobiles, a parede dos edifícios, a camiseta, o corpo desnudo? Multiplicaram-se os suportes audiovisuais, cada um com sua tela. Mas vêm se multiplicando também as telas dentro das telas, telas que disputam entre si o espaço de cada telinha e cada telão. À montagem temporal inaugurada, talvez, pelo cinema, contrapõe-se outra vez a montagem no espaço. Presente nos afrescos antigos ou nas modernas histórias em quadrinhos, a montagem espacial retorna vigorosamente nos computadores quando o usuário nativo abre inúmeras janelas dentro das quais realiza simultaneamente várias atividades, dentre as quais assistir vídeos. Essa espacialização se estende à cultura e à ciência, acostumada a perspectivas historicizantes (montagem temporal) e que agora privilegia geolocalizações políticas (montagem espacial), perspectivas que têm mais a ver com os atuais modos de viver: nossa existência se desenrola hoje menos no tempo de nossas vidas - mais ou menos longas - do que se desenrola na experiência de um mundo extensamente tramado em redes e conexões que ficam mais ou menos distantes do lugar físico de onde emitimos ou recebemos um sinal. Tal complexificação da cena audiovisual contemporânea demanda análises significantes complexas. O artigo se propõe abordar a multiplicação e divisão de telas no audiovisual contemporâneo a partir de uma metodologia que se complexifica exploratoriamente. A metodologia das molduras (KILPP, 2010) implica inicialmente três eixos conceituais (molduras, ethicidades e imaginários) que são atravessados pelos quatro conceitos basilares da obra de Bergson (1999) que são a intuição, o élan vital, a duração e a memória, e pelos conceitos de imagicidade e cinematismo propostos por Eisenstein (1990), escopo a partir do qual a metodologia visa autenticar as audiovisualidades atualizadas em cada mídia e que, entretanto, permanecem em devir. Nas molduras assim autenticadas percebe-se os quadros e territórios de experiência e significação de construtos midiáticos (as ethicidades), cujo sentido último é agenciado por conta dos imaginários minimamente compartilhados entre todos os partícipes de processos comunicacionais, é por isso que a metodologia autentica e age na perspectiva de uma semiótica da mídia.

 

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