Anais do I Colóquio Semiótica das Mídias. vol. 1, nº 1. João Pessoa, PB: UFAL, 2012.

Mídia e Câncer: modos de enunciar no contexto de uma sociedade em vias de midiatização

Élida Lima
PPGCom/UNISINOS

 

Este trabalho tem como objetivo analisar as novas condições de circulação sob as quais se engendram discursividades sobre o câncer. Buscamos apreender, mesmo que em parte, o papel que os novos processos de circulação de sentidos desempenham sobre esta questão, no contexto de uma sociedade em vias de midiatização. Nosso olhar se volta para os modos de enunciar de figuras públicas acometidas por câncer e as estratégias eleitas para sustentar seus discursos, com atenção especial para as notícias sobre a doença do presidente venezuelano Hugo Chávez, do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e do ator Reinaldo Gianecchini. Consideramos que os sentidos não são mais tecidos apenas pela instância da produção, apesar de sabermos que ao construir discursos há sempre uma intencionalidade, pois as produções humanas não são neutras. Ao contrário, heterogêneas, dialógicas e ideológicas. A despeito dessa “intencionalidade”, é preciso ressaltar que o co-enunciador não é um sujeito mudo, que apreende os discursos de forma passiva, mas dotado de uma ativa posição responsiva. Tais movimentos não se dão no espaço vazio, aspecto que nos remete à compreensão de circulação como “resultado de diferenças entre lógicas de processos de produção e de recepção de mensagens” (Fausto Neto, 2008). É a partir desse enquadre teórico que buscamos analisar os diferentes modos de enunciar de Chávez, Lula e Gianecchini, sobre as enfermidades que o acometem, enquanto atores olimpianos de campos sociais distintos (político midiático etc). Nossas reflexões nos levam a considerar que tais atores têm uma relação enunciativa distinta com a doença que os acomete, segundo estratégias que trazem as marcas dos modos como cada um publiciza ou privatiza, por processos de visibilidade ou de regulação, os discursos em torno de suas enfermidades. Enquanto Chavez busca manter o tema no âmbito do privado, Lula e Gianecchini não se furtam em dar visibilidade aos seus dramas pessoas, com a diferença que o ex-presidente brasileiro tomou para si a tarefa de publicizar sua doença. Ainda em fase inicial, essas observações fazem parte de uma pesquisa de doutoramento em Ciências da Comunicação, na Unisinos-RS, tendo como referências noções como midiatização, campo social e circulação.

 

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