Anais do III Colóquio Semiótica das Mídias. vol. 3, nº 1. Japaratinga, AL: UFAL, 2014.

Imagens de si para voyeurs virtuais: fronteiras fluidas entre o público, o privado e o íntimo

Rosaly de Seixas Brito
Universidade Federal Universidade Federal do Pará - UFPA

 

Resumo

Baseado em pesquisa antropológica com jovens urbanos da Região Metropolitana de Belém, no norte do Brasil, em que estavam em foco, entre outras questões, suas práticas comunicativas, o artigo propõe-se a discutir a redefinição de fronteiras entre o público, o privado e o íntimo nas trocas comunicativas e formas de narrativa virtuais juvenis nas redes sociais da internet. Os dados de campo revelam que, diferentemente das delimitações mais claras entre os âmbitos público e privado da vida que marcaram a modernidade, contemporaneamente os limites entre eles tornaram-se vagos e ambíguos. A vida online, lugar de pertencimento fundamental no cotidiano de jovens, em que é permanente o convite à autoexposição, interpenetra-se com a vida offline. Esses âmbitos são contíguos e mutuamente implicados. Porém, se de um lado o domínio privado da vida se vê atravessado pelas lógicas de visibilidade e de exteriorização do eu na febre das narrativas autobiográficas na rede, de modo geral a intimidade, conforme os dados da pesquisa, mantém até certo ponto uma dimensão indevassável. Valendo-se das formulações de Leonor Arfuch (2005) e Rosalía Winocur (2011, 2012), o artigo defende que é possível discernir dois níveis da intimidade juvenil – a intimidade pública e a intimidade privada íntima. O íntimo é o não comunicável, associado ao lugar próprio, tanto física como simbolicamente falando; o público é o que se dá a mostrar, e pode estar tanto dentro como fora da casa.

 

Abstract

Based on anthropological research with urban youth in the metropolitan region of Belém, North of Brazil, in which there have been in focus, among other issues, their communicative practices, the paper proposes to discuss the redefinition of boundaries among public, private and intimate in communicative exchanges and juvenile forms of virtual storytelling in social networks on the internet. The field data reveal that, differently from the clearer boundaries between the public and private spheres of life that marked modernity, contemporaneously, the boundaries between them become vague and ambiguous. The online life, a place of belonging essential in the daily lives of the youths, which is permanent invitation to auto exposure, interpenetrating with the offline life. These areas are contiguous and mutually implicated. However, if on one hand the private domain of life is seen traversed by logics of visibility and externalization of the self in autobiographical narratives of fever in the social networks, in general intimacy, according to the data of the research, remains to some extent an impenetrable dimension. Utilizing the formulations from Leonor Arfuch (2005) and Rosalía Winocur (2011, 2012), the article argues that it is possible to discern two levels of juvenile intimacy - public intimacy and intimate private intimacy. Something that is intimate is not communicable, associated to one´s place, both in a physically and symbolically ways; the public one is permitted to show, and it can be both inside and outside the house.

 

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