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"Trajetórias" , tema de encontro internacional, debate teorias, autores, efeitos da semiótica


Trajetórias semióticas

 

Texto por  Eduardo Ruedell, Maicon Elias Kroth, Viviane Borelli

 

‘Trayectorias” foi o tema agregador do 14° Congreso Mundial de Semiótica da International Association of Semiotics Studies /Association Internationale de Sémiotique - IASS/AIS, que  aconteceu entre os dias 09 e 13 de setembro de 2019, na Universidad Nacional de las Artes, em Buenos Aires, Argentina. O evento foi organizado pela Asociación Argentina de Semiótica - AAS.

Trajetórias, como indica o programa do evento, foi eleita em função da pluralidade de sentidos que emergem dos usos contemporâneos da expressão. A própria definição de semiótica remete a múltiplas histórias e a um campo de indagações e publicações. O termo trajetórias não remete apenas, como foi ressaltado no programa, aos desenvolvimentos conceituais da disciplina semiótica, senão a uma multiplicidade de suportes midiáticos, dispositivos, meios e linguagens que na contemporaneidade se interpelam e disputam tempos e espaços.

Durante o congresso, centenas de pesquisadores apresentaram resultados de suas reflexões e investigações que demonstram distintos olhares sobre os fenômenos de produção de sentidos. O evento foi organizado em torno de plenárias e de mesas, que reuniam uma diversidade muito grande de olhares e perspectivas teórico-metodológicas para estudar os fenômenos contemporâneos que compreendem distintas linguagens, dispositivos, sujeitos. 

Dentre os mais de 700 trabalhos apresentados, temas como a semiose através de diferentes plataformas e ambiências, a ressignificação das artes, os efeitos da circulação midiática e da participação online estiveram no foco das discussões. O ambiente do evento - organizado em torno de plenárias e mesas - alimentou discussões que visavam expandir os horizontes da pesquisa semiótica através de leituras atualizadas da obra de pensadores como Charles Sanders Pierce, Umberto Eco, Iuri Lotman, Algirdas Julien Greimas, Eliseo Verón, Eric Landowski, entre outros tantos.

As mesas e plenárias reuniram importantes pesquisadores de todo o mundo, que fomentaram riquíssimos debates que foram desde a problematização de perspectivas teóricas e metodológicas, com mesas específicas sobre os aportes de Pierce e Eco até temas ligados à educação, artes, história, literatura, música, memória, narratividades, audiovisualidades, espacialidades, desenho, rituais, corpos cotidianos, palavras públicas, alteridades, identidades, digitalidades.

As conversas que movimentaram o evento desvelam novas perspectivas de pesquisas, que tentam dar conta de um novo horizonte nos estudos da semiótica, tanto enquanto campo, quanto disciplina, para referenciar o supracitado Umberto Eco. Temáticas que variam da biosemiótica até a semiótica da cultura e do texto, passando por apontamentos epistemológicos e propostas de pesquisa que tentam dar conta da análise de discursos em novos formatos, geraram debates, polêmicas e importantes entrecruzamentos.

 

A herança das proposições de Eliseo Verón

 

O fundador e presidente de honra (in memoriam) do Centro Internacional de Semiótica e Comunicação, o semiólogo Eliseo Verón foi certamente um dos autores mais citados durante o evento.  As reflexões do semiólogo ao longo de sua trajetória acadêmica fundamentaram distintas discussões, tanto em mesas redonda quanto em plenárias. Conceitos formulados pelo autor - como de de contrato de leitura, de dispositivo de enunciação, da dissonância constituinte entre as relações produção e reconhecimento, de circulação e de midiatização - inspiraram distintas pesquisas e fomentaram o debate em vários momentos. 

Eliseo Verón foi uma das principais referências mencionadas para expressar a compreensão de práticas e processos contemporâneos de comunicação - os fenômenos relacionados com a sociedade midiática. Foi ressaltada a relevância do pesquisador argentino a partir de sua trajetória de produção de conhecimento, desde a reconhecida teoria da semiose social, desenvolvida em seus primeiros escritos, em meados dos anos 70 do século passado e atualizada em Semiosis Social 2, em 2013, até os estudos sobre midiatização e circulação. 

Pôde-se observar, a partir do acompanhamento das plenárias e demais discussões, o delineamento de pesquisas atentas à intensificação do uso e apropriação de tecnologias transformadas em meios, disseminadas sobre o tecido social. O estudo das novas formas de circulação e seus efeitos a partir e para a participação online dos atores sociais, além do delineamento de conceitos centrais para os estudos em midiatização, como o de dispositivo, foram centrais, por exemplo, para o Grupo de Trabalho “Digitalidades”, que contou com concorridas mesas e foi um dos principais espaços para as discussões da obra de Verón.

Parte da produção acadêmica apresentada no congresso problematizou estudos que apontam a mídia como agente protagonista que exerce atividades as quais determinam uma série de afetações sobre os modos de vida contemporâneos. Este mesmo cenário, considerado cada vez mais complexo, move os atuais pesquisadores que, fundamentados na teoria veroniana (qual se fundamenta a partir de perspectivas de semióticos como Charles Pierce e Umberto Eco, muito citados e que possuíam mesas temáticas específicas; e também em Gregory Bateson, Niklas Luhmann, entre outros), avançam na tentativa de explicar os fenômenos contemporâneos de comunicação. 

O que se vislumbrou, em muitas das apresentações, são observações de processualidades que complexificam as relações entre mídias, instituições e atores sociais. Este conjunto de elementos resulta em pesquisas que problematizam os conceitos de midiatização e de circulação, como foi o caso das apresentações, por exemplo, de Mario Carlón, Gastón Cingolani, Oscar Traversa, Oscar Steimberg, Carlos Scolari, Natália Raimondo Anselmino, Sandra Valdetaro, Damián Fraticelli, Francisco Arri, José Luis Fernández, Leandro Soto, Sebastían Mariano Giorgi. Sobre o processo de midiatização da sociedade, também foram citados os pesquisadores que integram o corpo docente da Unisinos, como José Luiz Braga e Antônio Fausto Neto (atual presidente do Ciseco), além da menção aos debates sobre a circulação no âmbito do Centro Internacional de Semiótica e Comunicação – CISECO.

Ainda durante o evento, ocorreu o lançamento da 29ª edição da Revista DeSignis, sob o dossiê "La Semiosis Social. Homenaje a Eliseo Verón". Com organização de Oscar Traversa, Lucrecia Escudero Chauvel e Marita Soto, contando ainda com a colaboração de Paolo Fabbri, o volume traz textos de pesquisadores como Antonio Fausto Neto, Mario Carlón, Sophie Fischer, Oscar Steimberg, Sandra Valdettaro, Gastón Cingolani, Jean Mouchon, dentre outros. São discutidas questões relacionadas à sociosemiotica e o processo de midiatização da sociedade a partir das proposições por Verón. A Revista pode ser acessada e baixada gratuitamente em (http://www.designisfels.net/).

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