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Conferências ampliam debates sobre circulação no Pentálogo VIII

Giovandro Ferreira, professor da Universidade Federal da Bahia, foi o primeiro a expor a pesquisa 'repercussão sobre o conceito de circulação na passagem da sociedade mediática à sociedade mediatizada'. "Tentei trabalhar o conceito de circulação vendo a passagem da sociedade mediática. Ou seja, uma sociedade onde você tem os meios de comunicação sobretudo ao longo do século XX. Numa sociedade onde há uma onipresença dos meios de comunicação", afirmou Giovandro Ferreira. 

Na pesquisa, Giovandro trabalha a história da circulação a partir das teorias da comunicação em razão da defasagem na construção de sentido entre as condições de produção e as condições da recepção ou reconhecimento."O debate sobre a conferência proporciona grandes mudanças e revela enriquecimento. O evento possui uma estrutura de trabalho bem saudável, que denota na melhora da produção científica", complementou o professor Giovandro Ferreira. 

Ativismo e apropriação

Dando continuidade a série de conferências, a pesquisadora Laura Guimarães Correa, da Universidade Federal de Minas Gerais, apresentou uma análise sobre 'Ativismo, Consumo e Apropriação: circulação de sentidos entre redes e ruas', em que discutiu o consumo no campo agonístico e a forma que podem circular por diferentes meios e plataformas, fazendo com que a dinâmica interacional e mesmo os sentidos se transformem. "Analisei casos em que discursos oficiais e discursos contestadores estão em diálogo numa lógica de retroalimentação por vezes mais harmônica, por vezes mais conflituosa", defendeu, durante a conferência. 

Para a pesquisadora, os casos têm suas especificidades e apresentam  pontos em comum, o que foi determinante para o sucesso da análise. "A primeira manifestação acontece nas superfícies urbanas, que é desdobrada, ressignificada e colocada em circulação posteriormente na imprensa, na publicidade e nas redes sociais", informou Laura acrescentando ainda que o aspecto visual é recurso, estratégia e tática para o impacto e a argumentação discursiva. 


O terceiro pesquisador do período matutino, o professor Jairo Ferreira expôs a 'Circulação e novas inteligibilidades: a Oikos como fonte de transformação das relações sociais'.Para ele, a transformação dos processos midiáticos, com os receptores em posições de consumidores produtivos, acionando operações de circulação, vem se constituindo, simultaneamente, em fonte de transformação das relações sociais. "A transformação não é, necessariamente, instituinte. Em muitos casos, é de desconstrução de instituições. Outras, de renovação (inclusive carismática, no campo da religião). Emergem novas inteligibilidades, construídas nas interações entre atores e instituições, midiáticas e midiatizadas. São formatos que transitam entre os amadores, construções de selfies, extimismos, catarses sociais disruptivas. 

A partir de casos de pesquisas do que chamou "ativismo social conservador", Jairo sugere que os ambientes e ambiências diferenciados sejam integrados às epistemologias da midiatização, focando, principalmente, na circulação.

Ciência e vlogs

Na segunda etapa da conferência, Suzanne de Cheveigné, do Centre Norbert Elias, apresentou "Nouvelles circulations discursives à propos de science: le blogs de Science", pesquisa que aponta em que os blogs da ciência no YouTube modificaram as tradicionais emissões científicas na televisão. Além disso, Suzanne levantou questionamentos pertinentes sobre as diversas formas que a ciência e os blogs se apresentam, como "sob que aspectos elas são diferentes? Com quais instrumentos podemos analisar sua novidade? É possível que se possa as analisar, conforme sugeriu Sonia Levinsgtone, como se procede nas análises feitas nas emissões televisivas?".Na apresentação, Cheveigné utilizou a noção de “contrato de leitura” estudada por Eliseo Verón, com o intuito de  levantar algumas possíveis respostas.

Jornalismo e a dinâmica das redes
Por sua vez, Natalia Raimondo Anselmino mostrou uma analise sobre a 'Prensa online y redes sociales en Internet: notas sobre la circulación de los discursos mediáticos contemporáneos', em que revela a preocupação com as mudanças sócio-tecnológicas na passagem do texto linguístico impresso para o texto digital e como o online afetou as gramáticas de produção, circulação e reconhecimento dos textos. "Isso apresenta uma situação que afeta as condições de produção dos discursos midiáticos e que acrescenta um marco adicional à longa série de modificações nas modalidades clássicas da imprensa que foram analisadas no campo da semiótica de mídia maciça por vários anos", expôs Natalia Raimondo Anselmino.

Encerrando o segundo dia de conferências do Pentálogo, o professor e pesquisador Paulo César Castro trata o 'Jornalismo e circulação discursiva em tempos de internet: entre a produção e as gramáticas da recepção midiatizada'. "Com o ambiente comunicacional radicalmente novo que se instaura nas duas últimas décadas a partir das tecnologias digitais baseadas na internet, a circulação jornalística, entretanto, ganha questões novas, na medida em que o "contato" agora se dá com uma recepção altamente midiatizada", defendeu Paulo César Castro.

Ainda conforme o pesquisador, é necessário entender as gramáticas da recepção porque é uma das condições para avaliar como o jornalismo está sendo redefinido como instituição e, por outro lado, como este está sendo responsável por estruturais transformações culturais e sociais. Ele apresentou como objeto de pesquisa o quadro da TV Folha, do Jornal Folha de S. Paulo, em que colunistas se propõem a responder comentários ofensivos ou irônicos de leitores.

Foto: Marco A. Tessarotto

 

 

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