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Aproximação ao Arquivo de Eliseo Verón

O Arquivo Eliseo Verón surge da cessão, feita em 2014, pela família do professor Verón de seus materiais de trabalho ao Centro de Documentação da Área de Crítica de Artes da Universidade Nacional das Artes para o estudo e a custódia. Esses materiais consistem em diferentes tipos de documentos que, durante as últimas décadas, acompanharam suas atividades diárias, tanto acadêmicas quanto do âmbito da consultoria comunicacional privada.

Se formos sintetizar globalmente uma classificação dos materiais por suas qualidades, pode-se dizer que no Arquivo temos uma heterogeneidade reveladora tanto dos diferentes tipos de trabalho de Eliseo, quanto de sua curiosidade e sua produtividade. Entre os materiais impressos e manuscritos, reunidos em umas mil pastas, guardados em quase cem caixas, existem tanto materiais de sua autoria como de produção de outros.

Entre os escritos acadêmicos de sua própria produção se destacam rascunhos de textos, programas de cursos, notas de aula, apontamentos de conferências que realizou, materiais didáticos, notas como ouvinte ou participante em colóquios, notas para planos de estudo e outros papéis institucionais e acadêmicos de âmbito universitário. Mas também são importantes – inclusive por sua quantidade - seus textos de pesquisa em consultoria: relatórios, avanços e notas de trabalho de diferentes estágios dos processos de investigação.

A princípio, todo esse material é o que, a priori, pode ser considerado o mais valioso por se tratar em sua maior parte de escritos que não foram necessariamente revelados e que se situam na antessala do que normalmente é tornado público de uma pesquisa ou de uma instância formativa, que se expõe em um livro, um artigo, uma conferência, uma aula, uma nota jornalística.

Sem dúvida, para conhecer o processo de trabalho de um pesquisador e, especificamente, para estudar quais eram seus procedimentos e a organização do seu pensamento, consideramos igualmente valioso todo esse material que tenha sido um insumo ou um objeto de estudo. Entre os insumos (que ele próprio colocaria entre as condições de produção de seus escritos ou discursos públicos), encontramos numerosos textos (artigos acadêmicos, técnicos e informativos, separatas, teses avaliadas ou orientadas) que oferecem uma visão do estágio de trabalho que organiza a mise au point diante de um assunto ou enfrentando uma problemática. Por sua vez, existem inúmeros produtos da vida social e cultural (diários ou suplementos de jornais, folhetos de empresas e instituições, revistas semanais, recortes de jornais, publicidades gráficas e outras peças de campanhas comunicacionais ou midiáticas) que foram - de forma clara ou explícita - objetos de sua pesquisa, e que também mostram uma maneira de cortar o universo sobre o qual ele dispensou seu interesse em entender uma situação, um processo, um estado para conhecer. Talvez esse seja o seu valor: não é a sua produção como se estivesse lá, nesse local de seu arquivo que também representa um momento de trabalho. Em contraste, existem peças que se referem a diferentes modos de coleta de dados em campo, não pré-construídos, mas produzidos por ele mesmo ou por seus colaboradores, o que também nos permite entender alguns exemplos que Verón especialmente estimou para elaborar suas análises: registros de entrevistas ou de reuniões com grupos focais, colagens, notas de campo.

Como complemento de todos esses materiais, se distribuem, aqui e ali, nos interstícios entre os grandes blocos de peças mais "pesadas", numerosas notas de trabalho, comunicações como colegas, sócios, clientes, estudantes de doutorado, ou representantes de instituições e organizações, algumas com um tom mais distante e profissional, outros mais confidenciais ou pessoais, permitindo (em alguns casos melhores do que outros) compreender em que estágio de trabalho, frente a qual problemática ou em que espaço de pesquisa estava nesse momento.

Esses materiais chegaram organizados em 96 caixas numeradas de forma correlativa, que foram assim dispostas por seus colaboradores em sua casa-escritório, a pedido do próprio Eliseo, e procedem de diferentes períodos de sua trajetória pessoal e profissional. A organização numerada é preferencialmente preservada, pois está sendo levada em consideração para o estudo. Como sabemos por seus livros, para Verón, as agendas são um tipo de dispositivo que oferece o entrelaçamento de diferentes níveis de organização pessoal e pública, sempre sob trajetórias marcadas pelo tempo e em planos justapostos de ritmos e correlações cronológicas. Estas caixas sugerem uma agenda com trajetórias do pensamento e do trabalho de um multifacetado e laborioso Eliseo Verón, leitor e escritor, gerador de passagens entre a investigação do mundo acadêmico e as iniciativas privadas do mundo político, empresarial e institucional.

Gastón Cingolani

 

O arquivo pessoal de E. Verón está sendo investigado no projeto "Aproximação ao arquivo de Eliseo Verón: ordenamento preliminar e classificação de documentos" (Diretor: Oscar Traversa, co-diretor Gastón Cingolani), com a participação de Francisco Schaer, Carina Perticone e Mariano Fernández, 2015-2017, Programa de Incentivos(SPU/ME), Instituto de Pesquisa e Experimentação em Arte e Crítica, Área Transdepartamental de Crítica de Artes, Universidade Nacional das Artes. (COD 34/0417 - Res.: 0091/15).

 

 

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