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Entrevista – Midiatização da experiência estética, Gastón Cingolani

 

Palestrante no Pentálogo 8 do Ciseco, que será realizado em setembro em Japaratinga, o pesquisador Gastón Cingolani (foto) é professor na Universidade Nacional de las Artes e na Universidade Nacional de La Plata, na Argentina. Cingolani, que coordena o Instituto de Investigación y Experimentación en Arte y Crítica, trabalha com temas de análise discursiva a partir da sociosemiótica, midiatizações do político e as práticas e experiências estéticas. No evento em Alagoas, ele apresenta o trabalho “Circulação e midiatização da experiência estética”. Em entrevista, concedida via e-mail, ele explica como compreende os processos de circulação dos diversos produtos culturais e de como a midiatização em curso e o espaço dado às opiniões de amadores têm reconfigurado as experiências de consumo cultural do público espectador.

Como se pode explicar/distinguir os diferentes níveis em que a circulação se revela no caso das produções culturais?

Claramente, esse não é um assunto simples. De minha parte, estou investigando as seguintes pistas: Inicialmente, a expressão das preferências dos consumidores/usuários/espectadores. Essas preferências são devido a pelo menos dois níveis: como resposta a um conjunto de oferta e como efeito (sempre complexo) de seus modos de socialização. Esses dois níveis muitas vezes permanecem opacos para o sujeito, que considera suas próprias preferências como seus "gostos". Nesse sentido, o interesse está em explicar as relações entre esses níveis. A expressão dessas preferências (as práticas e consumos culturais e, também, suas opiniões) são o principal material de análise.

Na contemporaneidade, isso se complexificou, já que os modos de socialização que antes se concebiam segundo o lugar social (por exemplo, a partir da interseção entre o capital econômico e o capital cultural, nos termos de Bourdieu), mas, hoje em dia, esse "lugar social” é uma encruzilhada muito mais difícil de resolver e nem sempre dá conta da determinação das preferências; tampouco o mercado tornou-se tão circunscrito e previsível. Ao mesmo tempo, certa parte desses consumos, práticas e opiniões estão se midiatizando (certamente, mais ainda em casos dos consumos cultural on-line) o que, por um lado, nos facilita seu acesso e análise, mas, por outro, produz novas lógicas de sentido dessas práticas. Por isso, estamos desenvolvendo novas maneiras de investigar, o que nem sempre é simples, leva tempo de desenvolvimento, mais tempo visto que, às vezes, essas maneiras de investigar demoram a sofrer mutações.

De que modo são as gramáticas produzidas pela circulação, apontadas no seu resumo como anteriormente “inexistentes ou inacessíveis”? Em que são diferentes?

Por exemplo, para acessar o conhecimento de certos bens culturais em circuitos aos quais especialmente assistimos (cinema, arte, teatro, shows, etc), antes éramos mediados pela crítica e também pelas pessoas que conhecemos, nossos amigos, etc., Hoje em dia existem espaços na rede que se encarregam todo o tempo de nos orientar. Obviamente, isso determina, de forma diferente, as nossas escolhas, não só enquanto escolhemos, mas também modifica o seu "valor social". Há 80 anos, Walter Benjamin alertava para a mudança que produzia a respeito do valor da arte por sua reprodutibilidade técnica. Hoje o que foi tecnificado é o caminho que empregamos para chegar á obra: muitas vezes não envolve mais um ser humano, mas um sistema, cuja programação depende e se alimenta da memória que a própria rede tem sobre os nossos movimentos. E também o prestígio do crítico ou do especialista se operava sobre a organização do valor de seus objetos de comentários, e ele ocupava um lugar especial e complementar ao dos espectadores ou consumidores; Hoje, nos sistemas de recomendação são colocados no centro a palavra de outras pessoas que são como eu, não necessariamente especialistas, mas semelhantes.

Pode falar um pouco sobre os casos empíricos que apresentará? O que eles despertam?

Estou fazendo um mix de casos de consumo artístico em Buenos Aires, onde também está em jogo a própria questão do valor ou validade [valor o validez] dos artistas, e a circulação da palavra desses e dos potenciais espectadores em redes sociais e outras superfícies midiatizadas. Na verdade, o principal desafio é compreender os modos em que se entrelaçam essas distintas práticas discursivas e as diferentes maneiras pelas quais alguém decide participar ou comentar.

Confira o currículo do pesquisador.

[Texto traduzido do Castelhano]

 

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